Desde criança, sempre fui ativa, praticando natação e ginástica olímpica, mas os hábitos alimentares inadequados me acompanharam desde cedo. Mesmo com toda a atividade física, eu era uma criança gordinha e, aos 9 ou 10 anos, já buscava dietas e restringia minha alimentação na tentativa de emagrecer. Vivíamos em uma época em que as informações nutricionais eram, muitas vezes, equivocadas, influenciadas pela mídia - Trocar pão por tapioca ou torradas e cortar o jantar, corta carboidrato, comer muito em um dia e tentar jejum no outro para compensar-  eram práticas comuns, mas nunca funcionavam. Essas tentativas de restrição alimentar acabavam levando a episódios de compulsão.

A entrada na faculdade de medicina trouxe uma nova alegria, mas também mais desafios. A combinação de responsabilidades acadêmicas e a rotina intensa fez com que minha relação com a comida piorasse ainda mais.

Foi durante a pandemia, quando o mundo parou e eu perdi minhas válvulas de escape, como saídas constantes e o consumo de álcool, que percebi que algo precisava mudar. Com excesso de estresse, ansiedade e descontando tudo na comida, finalmente busquei ajuda médica e tratei meu transtorno de ansiedade. Esse foi o ponto de virada. Comecei a praticar atividades físicas simples e, à medida que minha ansiedade foi controlada, minha relação com a comida melhorou significativamente.

Ao longo desse processo, compreendi que a obesidade não é apenas uma questão de comer menos ou se exercitar mais. É uma doença complexa, fortemente influenciada pela mente. A ansiedade, o estresse, e a busca por válvulas de escape, como o excesso de comida ou álcool, formam um ciclo vicioso que agrava ainda mais o quadro de obesidade. A mente, quando não está bem, procura formas de aliviar o sofrimento, e muitas vezes, a comida se torna essa "válvula de escape" imediata, criando uma sensação momentânea de conforto, mas que logo se transforma em culpa e frustração.

Entender profundamente essa relação entre a mente e o corpo foi essencial para minha recuperação. Tratar a obesidade de forma isolada, sem considerar os aspectos psicológicos como a ansiedade e os mecanismos de enfrentamento, é tratar apenas parte do problema. O verdadeiro sucesso vem quando abordamos a saúde mental e física de maneira integrada, criando um equilíbrio que permite uma relação saudável com a comida e com o próprio corpo.

Com o sucesso do meu tratamento, me aprofundei nos estudos sobre essa área e hoje entendo profundamente como esses fatores interagem e influenciam o desenvolvimento da obesidade. Feliz e realizada, agora dedico minha vida a ajudar pessoas que passam pelo que passei. Sei o quanto é difícil vencer a guerra contra a ansiedade, a compulsão alimentar e a culpa. Trato meus pacientes não apenas com a competência de uma médica, mas também com a empatia de alguém que já esteve no mesmo lugar.

Se você também está enfrentando esses desafios e busca um acompanhamento que une conhecimento técnico e experiência de vida, marque uma consulta comigo. Juntos, podemos traçar o caminho para uma vida mais saudável e equilibrada.